Capacitação promove aos profissionais da Saúde experiência de usuário durante transferência de unidades

Por Frederico Noleto

3 de setembro de 2019

Por Frederico Noleto

3 de setembro de 2019


Foto: Wigor Vieira

Os profissionais da rede ambulatorial e dos serviços de Urgência e de Emergência do município participaram esta semana de uma capacitação inusitada. Uma imersão promoveu aos trabalhadores das unidades de Saúde de Aparecida vivenciar a experiência do usuário que acaba sendo direcionado a várias unidades diferentes. O curso “Atenção ao usuário de álcool e outras drogas: fortalecendo o vínculo na rede municipal” foi promovido pelos estudantes do Centro Regional de Referência para Formação (CRR) da Universidade Federal de Goiás (UFG) e tem a intenção de aproximar distâncias e reforçar lastros que unem profissionais e pacientes da rede municipal de Saúde. Ao todo foram cerca de 70 inscritos para os dois dias de curso, entre psicólogos, enfermeiros e psicoterapeutas.

A coordenadora de Saúde Mental do município, Carolina Sartori, explica que este tipo de capacitação proporciona uma experimentação intensa de se colocar na pele do outro e acaba surtindo muito efeito entre os participantes. “Isso acaba aproximando os profissionais e fortalecendo a rede. A partir de uma vivencia onde eles experimentam o papel do usuário de serem empurrados de uma unidade à outra. Essa experiência desperta uma empatia ainda maior neles. A finalidade é fazer com que estejam cada vez mais conectados entre si e com os pacientes.” – explica a coordenadora do programa Consultório Na Rua, Adrielle Souza, que é a tutora do curso.

“Fui morador de rua por 14 anos. Dormia debaixo de um pé de manga. Muitas vezes as pessoas não sabem como lidar com as pessoas nesta condição, como ajudar. Já passei por vários tipos de humilhação porque era usuário de drogas. De repente, fui abordado pelos profissionais do Consultório Na Rua, que ficaram no meu pé por seis meses. Eu sempre negava, mas eles não desistiram de mim. Então finalmente fui levado para o CAPS, onde fiquei por 14 dias. Eles me ajudaram a mudar meus pensamentos, meus sentimentos e meus hábitos. Hoje faz três anos e sete meses que não bebo. Tenho uma casa de cerâmica e sou aposentado. Como pessoa que já precisou dessa ajuda, posso dizer que existem muitas vidas perdidas que muitas vezes precisam apenas de uma palavra amiga, de um conforto” – conta o senhor Edmo Bueno.

Profissionais durante capacitação “Atenção ao usuário de álcool e outras drogas: fortalecendo o vínculo na rede municipal”

“Às vezes o paciente está agressivo, está triste e nem sempre se tem condições ideais, mas não podemos nos esquecer de que se trata de seres humanos e por isso precisamos ter cada vez mais empatia. Sabermos nos colocar no lugar do outro. Olharmos para ele como uma pessoa de verdade. Fiz questão de divulgar esse evento porque sei da sua importância” – conta a enfermeira Eva Santos. “Sou humanista e acho que todo paciente deve ser tratado como um ser humano. Apesar de nosso ambiente de trabalho muitas vezes ser meio pesado, temos sempre que atuar com paciência e carinho. Um abraço, na maioria das vezes, minimiza um surto, diminui uma convulsão” – completa.

“Esse tipo de capacitação é essencial principalmente no que tange à humanização do serviço ao usuário. Porque quando nós ouvimos falar das experiências, da realidade de cada unidade, nós percebemos não apenas a complexidade do sistema com um todo, mas também o quê exatamente cada serviço faz. Isso faz com que o atendimento se torne mais humano e mais capacitado. Os vários tipos de serviços têm que caminhar juntos, como rede, e não de forma individual. E esses usuários são pessoas. Eles têm que ser inseridos dentro de um sistema, como cidadãos” – esclarece a psicóloga Lara Dayrell. “Os profissionais devem participar de cursos de capacitação como este porque é importante se adequar à funcionalidade de cada ponta do sistema. Está sendo muito produtivo” – afirma a enfermeira Shirley Vilardi.

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